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Esta, foi
decididamente a parte mais difícil do trabalho.
São
guitarradas tiradas de cassetes particulares deixadas por guitarristas
de Coimbra, antes de falecerem. Englobo neste caso os Drs. Afonso de
Sousa, José Amaral e Armando Carvalho Homem. Algumas das
guitarradas de Artur Paredes, foram também tiradas de
cassetes,
com base em discos de 78 rpm gravados particularmente por Alexandre
Brandão. Alexandre Brandão, já
falecido, residia
no Porto e era o maior fã de Artur Paredes. Deslocava-se
para
todo o lado onde Artur Paredes actuava, acompanhado pelo filho Carlos e
pelo viola Arménio Silva. Supostamente, estas obras eram
registadas em gravador de fio de aço (1943) e depois
transpostas
para discos de 78 rpms não comerciais, pois Alexandre
Brandão como funcionário numa
estação de
rádio tinha possibilidades de fazer esse trabalho de
prensagem.
Dessa data e até aparecerem os gravadores de fita
magnética, distam muitos anos, como revelam as
gravações que eu recebi, cheias de
ruídos, pois os
discos já tinham rodado milhares de vezes.
O “Lá Maior” do Dr. António
Carvalhal
é fruto de uma versão do Dr. Carvalho Homem, que
a
aprendeu com José Amaral. A “Chula” de
Antero da
Veiga foi tocada pelo amigo e guitarrista, José Paulo, pois
eu
não a sei e seria uma pena a sua falta no
reportório
coimbrão. O “Mi Menor” do
Flávio Rodrigues,
foi-me gentilmente cedido pelo amigo e guitarrista Dr. Móra
Leitão, que o aprendeu há muito tempo
”entre dois
cortes de cabelo”, com Fernando Rodrigues, irmão
do
guitarrista e barbeiro Flávio Rodrigues. Sobre o
“Sol
Maior” do Xabregas (Dr. Jorge de Morais), foi-me cedido pelo
próprio ainda a residir em Oeiras. As
“Variações do Fado em
Dó”, arranjo do
Flávio Rodrigues (sobejamente conhecidas) foram integradas
nas
“Raridades”, pois incluem uma parte em
Dó Menor que
é desconhecida da maioria dos tocadores. Esta
versão foi
tocada pelo José Paulo. Ainda incluído nas
“RARIDADES”, aguardo a
colaboração do grande
amigo e guitarrista, Eng. Carlos Couceiro para gravar um Ré
Menor desconhecido de Flávio Rodrigues.
Poderiam também ficar incluídas nesta
secção as últimas guitarradas do meu
grande amigo
e saudoso, João Bagão, que ainda em vida me pediu
para eu
ficar com a cassete das mesmas, ao qual eu me neguei, pois na altura
achei que era duma grande responsabilidade tal acto, pois desconhecia o
futuro ou seja a minha situação actual.
A cassete ainda existe (suponho) mas já diligenciei no
sentido
de a obter e não consegui. Como eu costumo dizer
“A
cultura é uma maior valia, mas tudo em contrário
será uma maior “perdia”.
Nesta
secção de “perdidos e
achados” podemos
referir peças de José Chochofel, Francisco
Menano, Albano
de Noronha e Miguel Peres de Vasconcelos.
Neste arquivo sonoro poderão entrar outras peças
de
“salvados”, sendo apenas necessário que
me sejam
entregues exemplares completos de uma determinada melodia, a qual
será sujeita a reconstituição e
divulgação.